A partir de 24 de maio de 2025, entra em vigor a nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que traz uma mudança significativa para a gestão da segurança e saúde no trabalho no Brasil.
A principal novidade é a inclusão obrigatória dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), o que exige das empresas uma abordagem mais ampla e estruturada na proteção do bem-estar mental e emocional dos colaboradores.
Essa mudança é um marco na legislação trabalhista brasileira, pois reconhece o impacto que fatores como estresse, assédio moral, cobranças excessivas e falta de apoio organizacional podem ter na saúde dos trabalhadores.
Mas como sua empresa deve se preparar para essa nova exigência? Quais são os riscos psicossociais que precisam ser gerenciados? E quais são as penalidades para aquelas que não se adequarem?
Neste artigo, exploraremos todos esses pontos para ajudar sua organização a se antecipar às mudanças e garantir conformidade com a nova NR-1.
O que são riscos psicossociais no ambiente de trabalho?
Os riscos psicossociais são fatores relacionados à organização do trabalho, à cultura corporativa e às condições laborais que podem gerar impactos negativos na saúde mental e física dos trabalhadores.
Eles podem levar ao desenvolvimento de doenças ocupacionais como depressão, ansiedade, burnout e transtornos psicossomáticos. Entre os principais fatores de risco psicossocial, destacam-se:
- Carga de trabalho excessiva: sobrecarga de tarefas e prazos curtos podem gerar estresse crônico e exaustão.
- Ambiente de trabalho tóxico: culturas organizacionais que incentivam a competitividade extrema, cobranças abusivas ou assédio moral.
- Falta de reconhecimento e suporte: a falta de feedback positivo e de apoio por parte das lideranças impacta diretamente o engajamento e a satisfação dos colaboradores.
- Insegurança no emprego: o medo de demissão ou de cortes salariais gera ansiedades constantes dos colaboradores.
- Conflitos interpessoais: desentendimentos frequentes entre colegas ou gestores podem prejudicar o ambiente e a produtividade.
- Jornada de trabalho extensa: longas horas de trabalho sem pausas adequadas aumentam os níveis de estresse e prejudicam a saúde física e mental.
O que muda com a nova NR-1?
A NR-1 sempre estabeleceu diretrizes gerais para a gestão de segurança e saúde no trabalho, mas agora passa a incluir explicitamente os riscos psicossociais. Essa mudança significa que as empresas precisarão:
- Identificar os riscos psicossociais: incluir esses fatores na análise de risco dentro do PGR.
- Adotar medidas preventivas: implementar estratégias para reduzir ou eliminar os fatores de risco psicossocial.
- Monitorar continuamente: avaliar periodicamente os impactos das medidas adotadas e realizar ajustes sempre que necessário.
- Capacitar lideranças e colaboradores: educar os gestores e colaboradores sobre como identificar e lidar com esses riscos.
Essas exigências colocam as organizações diante de um novo desafio: como transformar as exigências legais em práticas eficazes de prevenção e bem-estar no ambiente de trabalho?
Como as empresas devem se preparar para a nova NR-1?
A adequação à nova NR-1 requer uma abordagem proativa. Destacamos algumas estratégias que podem ser implementadas para auxiliar na gestão dos riscos psicossociais.
1. Realizar um diagnóstico organizacional
O primeiro passo para a adequação é realizar um mapeamento detalhado dos riscos psicossociais dentro da organização. Isso pode ser feito por meio de pesquisas de clima organizacional, entrevistas individuais e em grupo, além da análise de indicadores como absenteísmo, rotatividade e afastamentos por problemas psicológicos.
Ouvir diretamente os colaboradores também é essencial, pois eles vivenciam a realidade do ambiente de trabalho e podem apontar desafios muitas vezes invisíveis para a gestão.
Com esses dados em mãos, a empresa poderá identificar os principais focos de tensão e estabelecer prioridades para a implantação de melhorias.
2. Criar um plano de ação
Baseado no diagnóstico, a organização deve estruturar um plano de prevenção e gestão dos riscos psicossociais. Esse plano deve contemplar medidas como a criação de políticas de prevenção ao assédio, implementação de programas de apoio psicológico e incentivo à cultura de bem-estar no ambiente de trabalho.
Também é fundamental desenvolver mecanismos de avaliação contínua para mensurar a eficácia das ações e realizar adaptações rotineiras nas ações realizadas.
3. Treinamento e sensibilização das lideranças
Os gestores desempenham um papel central na redução dos riscos psicossociais, pois influenciam diretamente o clima organizacional.
Dessa forma, é fundamental capacitá-los para identificar sinais de esgotamento emocional, conflitos interpessoais e outros fatores que possam impactar negativamente a saúde mental da equipe.
4. Acompanhar e revisar continuamente
A gestão de riscos psicossociais é um processo dinâmico. As empresas devem acompanhar constantemente a eficácia das ações implementadas e estar prontas para ajustá-las conforme necessário.
Isso pode ser feito por meio de feedbacks recorrentes, revisões periódicas dos planos de prevenção e revisão de indicadores-chave de bem-estar no trabalho.
Penalidades para empresas que não se adequarem
O não cumprimento das novas diretrizes da NR-1 pode resultar em:
- Multas e sanções aplicadas pelos órgãos fiscalizadores.
- Processos trabalhistas, caso os colaboradores sejam prejudicados por negligência em relação à saúde mental.
- Prejuízos à reputação da empresa, o que pode afetar a atração e retenção de talentos.
Conclusão
A nova NR-1 representa um grande avanço para a segurança e saúde no trabalho no Brasil. Ao reconhecer a importância dos riscos psicossociais, ela incentiva as empresas a adotar uma postura mais humanizada e responsável em relação ao bem-estar dos colaboradores.
Para garantir conformidade e criar um ambiente de trabalho mais saudável, é essencial que as organizações iniciem o quanto antes suas avaliações e implementações.
A prevenção dos riscos psicossociais não apenas evita penalidades legais, mas também fortalece a cultura organizacional e melhora os níveis de produtividade e engajamento dos colaboradores.
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